Serra defende o fim da reeleição e critica o PAC

De Fábio Fabrini, de O Globo:
O ex-governador José Serra, pré-candidato tucano à Presidência, criticou nesta segunda-feira, em Belo Horizonte, a reeleição, proposta e aprovada no governo do seu aliado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Em entrevista à rádio Itatiaia, o tucano propôs que chefes de cargos executivos permaneçam um pouco mais no cargo, sem a possibilidade de renovação do mandato.
.- Acho que reeleição não é coisa boa. Deveria ter cinco anos de mandato. Você chega e governa fazendo aquilo que tem de ser feito, não apenas de olho na reeleição - afirmou o tucano, em sua primeira visita como pré-candidato a Minas Gerais , estado tido como estratégico para seu sucesso nas eleições.
Atualmente, os mandatos são de quatro anos e podem se estender por mais quatro, como foram os casos de Fernando Henrique e de Lula. Serra citou Juscelino Kubitschek, construtor de Brasília, que, com o slogan "50 anos em cinco", ficou um mandato na Presidência, sendo pai de muitas realizações.
- Amadureceu fora do poder e pode voltar depois. Eu acho melhor - comentou.
Apesar do ponto de vista, o ex-governador reconheceu que, na condição de presidente, não teria como levar uma reforma eleitoral adiante sozinho.
- Vou colocar esse assunto e precisa ver se o Congresso concorda. Se não concordar, paciência. Mas eu vou defender - avisou.
O tucano afirmou que o atual presidente deveria alterar sua opinião sobre o tema:
- Conversei com o Lula, ele estava de acordo (com o fim da reeleição), mas mudou de ideia. E eu espero que mude de novo, porque o Lula, mesmo fora do governo, tem um peso político muito importante e eu espero manter o diálogo com ele.
Durante a entrevista, Serra não poupou críticas ao governo Lula. Condenou a corrupção em setores da administração federal e o PAC, classificando-o de programa inconcluso. O tucano também atacou o MST por usar a reforma agrária como "pretexto" para seus objetivos políticos.
.- O PAC é uma lista de obras, vamos ser realistas. A maior parte não foi feita. As obras, a gente tem que definir, tocar e fazer acontecer - comentou, quando questionado se daria continuidade ao pacote de projetos que é uma das principais bandeiras de sua adversária, a ex-ministra Dilma Rousseff (PT).
Serra enumerou empreendimentos que há anos não saem da gaveta em Minas e são de forte apelo eleitoral, como a ampliação do Metrô de Belo Horizonte, a duplicação da BR-381, entre a capital e Governador Valadares, a expansão do Aeroporto de Confins e a requalificação do Anel Rodoviário da capital:
- Se está no PAC, não está no PAC, foi anotado ou não foi anotado, o fato é que não se avançou.

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