Serra: “Brizola, chefe da Dilma, foi exilado”
Blog do Fernando Rodrigues

- tucano disse que declaração de petista sobre exilados “foi um escorregão”
- privatização não deve atingir CEF e BB; pode haver concessão de aeroportos
- “Dizer que se um ganhar vai ser o fim do mundo (...) é que é fazer terrorismo”
O pré-candidato do PSDB, José Serra, disse ontem acreditar que “foi um escorregão” a declaração de Dilma Rousseff sobre militantes de esquerda que buscaram o exílio durante a ditadura militar (1964-1985).
“O Brizola, que foi o chefe da Dilma, foi exilado”, declarou Serra hoje pela manhã (12.abr.2010) em uma entrevista à Rádio Jovem Pan. Referia-se a Leonel Brizola (1922-2004), líder máximo do PDT. Esse foi o partido ao qual Dilma Rousseff esteve vinculada de 1980 a 2001. Serra também mencionou Marco Aurélio Garcia, responsável pela redação do programa de Governo da petista, que também viveu no exílio.
No último fim de semana, Dilma, que foi presa política no Brasil de 1970 a 1972, disse: “Eu não fujo quando a situação fica difícil. Não tenho medo da luta (...) Nunca abandonei o barco". Foi uma crítica indireta a Serra, que também era opositor ao regime militar e se exilou no Chile.
Serra disse que a opção pelo exílio de muitos militantes de esquerda foi para evitar a prisão por crime de opinião. Ele pertenceu à AP (Ação Popular). “A Ação Popular nunca entrou na luta armada”, fez questão de dizer para se diferenciar de outros grupos políticos –na prática, uma crítica do tucano contra Dilma, que militou em organizações cuja estratégia era a guerrilha.
(Dilma foi entrevistada pela Rádio Jovem Pan no último dia 5.abr.2010)
Privatizações Assunto polêmico em 2002 e 2006, quando o PT usou a venda de empresas públicas contra os tucanos durante as campanhas eleitorais, a privatização, disse Serra, “não é um ponto centra do programa de governo, até porque o principal já foi feito”.
Serra citou como positivas as privatizações nos setores de telecomunicações e siderurgia. “A privatização permitiu que o telefone se tornasse uma coisa barata”.
O tucano aproveitou para alfinetar o PT, que foi contra todas as privatizações durante o governo FHC. “Quem era contra já teve tempo para mudar”, disse, citando que Lula está no governo há quase 8 anos.
E CEF (Caixa Econômica Federal) e Banco do Brasil? Serão privatizados? Serra vestiu seu uniforme de defensor do Estado e negou a venda desses bancos estatais. “Esses são instrumentos importantes na mão de um governo (...) Foram fortalecidos [no governo FHC]. Eu vou fortalecê-los ainda mais”.
E os aeroportos? “Eu não privatizaria a Infraero nem abriria [essa empresa] para participação privada”. Ele disse preferir “abrir os aeroportos para concessão privada”. A estratégia “valeria para Cumbica. Dá para fazer o terceiro terminal para passageiros [por meio de concessão para a iniciativa privada]”.
Propaganda
Conforme apontado em reportagem da Folha (aqui, para assinantes), o governo de São Paulo aumentou seus gastos com publicidade de R$ 55 milhões, em 2005, para R$ 311 milhões, em 2009. Serra argumentou ser necessária a despesa porque “muito mais coisa passou a ser feita”.
Conforme apontado em reportagem da Folha (aqui, para assinantes), o governo de São Paulo aumentou seus gastos com publicidade de R$ 55 milhões, em 2005, para R$ 311 milhões, em 2009. Serra argumentou ser necessária a despesa porque “muito mais coisa passou a ser feita”.
Citou o caso da chamada nota fiscal paulista, um sitema que dá créditos ao consumidor que exige recibo. “Você só consegue implantar essa nota fazendo anúncio”, argumentou. Neste ano, declarou Serra, “cai pela metade a despesa” com publicidade.
Apologia do medoAo comentar a argumentação do PT sobre a necessidade de eleger Dilma Rousseff para que sejam mantidas as conquistas do governo Lula, o tucano disse que “a apologia do medo é um horror”.
Par Serra, “nenhum” dos atuais candidatos “pode causar medo no Brasil”. Para ele, “isso é que é fazer terrorismo”. Exemplificou: “Dizer que se ganhar um ou outro vai ser o fim do mundo”.
Indagado se no seu discurso de sábado (10.abr.2010), em Brasília, referia-se a Lula sobre “gente que quer dividir o Brasil”, Serra negou. Como sempre tem feito, preservou o atual presidente.
“Eu nunca disse que o presidente Lula quer isso. (...) Não são todos [que querem dividir o país]. Se eu vier a ser presidente, eu vou chamar a oposição para governar junto. Cooperar pelo Brasil”.
Futebol mais cedo
Serra foi perguntado sobre o que acha de proibir jogos de futebol às 22h. Disse não ter uma solução. Afirmou que “seria desejável” que os jogos fossem mais cedo, para facilitar o acesso dos torcedores aos estádio. Mas citou o “problema com a transmissão de TV”.
Serra foi perguntado sobre o que acha de proibir jogos de futebol às 22h. Disse não ter uma solução. Afirmou que “seria desejável” que os jogos fossem mais cedo, para facilitar o acesso dos torcedores aos estádio. Mas citou o “problema com a transmissão de TV”.
As receitas dos clubes de futebol hoje são maiores com a venda dos direitos de transmissão à TV do que com a venda de ingressos nos estadios.
“Tem essa dificuldade para resolver. Você não pode resolver um problema e criar outro”, declarou o tucano.

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