Patrus Ananias defende decisão do PT em MG sem interferência nacional

Rayder Bragon
Especial para o UOL Eleições
Em Belo Horizonte
Em Belo Horizonte
O ex-ministro Patrus Ananias, um dos pré-candidatos do PT ao governo de Minas, se mostrou contrariado com a chance de interferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na montagem do palanque da base aliada no Estado. Ananias disse que o resultado das prévias petistas em Minas, que escolherá em 2 de maio o nome da sigla para a disputa do governo, será “para valer”.
Lula já teria batido o martelo em favor do ex-ministro Hélio Costa como o nome da base aliada para concorrer ao governo do Estado. A interferência seria em prol da aliança nacional com o PMDB, que prevê apoio da legenda à pré-candidata do PT ao Planalto, a ex-ministra Dilma Rousseff. Por sua vez, Ananias disputa com o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel a indicação petista para as eleições ao governo de Minas. A indefinição teria irritado Hélio Costa, a ponto de interlocutores do peemedebista afirmarem que a demora do PT em anunciar apoio a Costa poderia ameaçar a aliança nacional.
“Quem dá a palavra final no PT (de Minas Gerais) é o PT. São as instâncias partidárias. Claro que o presidente Lula é um militante muito especial, pela extraordinária liderança que ele exerce, o governo histórico que ele está realizando. (...) Mas o PT tem as suas instâncias. É sempre uma relação de diálogo”, disse Ananias, em entrevista coletiva na Assembleia Legislativa de Minas.
Na defesa do que foi acertado no PT do Estado, Patrus afirmou que o projeto nacional deveria respeitar as singularidades regionais. “É claro que o que nos une a todos no Brasil é o projeto nacional. Agora, eu digo sempre que o projeto nacional não se dá no vazio. Ele se constrói a partir de realidades concretas, locais, regionais, estaduais. E nós sabemos que o projeto nacional passa por Minas Gerais”, disse o ex-ministro.
O petista disse que deputados petistas se reuniram ontem com o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, e da reunião saiu o consenso de que o resultado das prévias será acatado pela direção nacional. “Não há uma encenação nisso”, afirmou.
O ex-ministro, no entanto, defendeu a importância das alianças como meta a ser alcançada após a escolha do nome petista, “com os nossos aliados históricos”, e reconheceu inabilidade tanto dele como de Pimentel em não ter avisado Hélio Costa que as prévias no PT seriam o modelo para a escolha do nome petista.
“Nós deveríamos ter conversado antes com ele (Hélio Costa), deveríamos ter comunicado à direção estadual do PMDB, mas faz isso faz parte da dinâmica da vida. A gente, às vezes, só percebe (o erro) depois. Certamente nós vamos conversar (com ele) e esclarecer essas questões”, afirmou Ananias.
Ontem à noite, em Belo Horizonte, durante encontro com simpatizantes a sua pré-candidatura, Pimentel havia sugerido ao PMDB que deixasse o PT resolver suas questões internas, sem intromissão.

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