DILMA INVENTA MAIS UMA…
Por Márcia Falcão:
Após colocor o boné da Contag (principal entidade sindical de trabalhadores rurais), a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou nesta terça-feira que seu principal adversário, José Serra (PSDB), quer acabar com o Ministério do Desenvolvimento Agrário.
A petista, que recebeu apoio político da entidade, disse ainda que faz parte de um governo que respeita os movimento sociais. “Não tratamos à base de bordoada nem fingimos que escutamos”, afirmou.
Em seu discurso, Dilma ignorou medidas polêmicas defendidas por representantes da entidade no evento como a revisão dos índices de produtividade de terras para a reforma agrária. A petista ainda lançou aos trabalhadores rurais sindicalizados um compromisso de ampliar em 2 milhões o número de agricultores no Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar).
“Tem gente propondo, o meu adversário, acabar com o ministério do Desenvolvimento Agrário. É um absurdo porque o ministério mostrou que nossa política específica da agricultura familiar fez com que o campo se desenvolvesse e se transformasse em uma potência. Não somos favoráveis a isso. O meu projeto não concorda com isso. O Brasil rural nos interessa. O Brasil precisa de agricultura familiar”, disse.
Dilma –que também já colocou o boné do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra)– afirmou que não fará reforma agrária por causa do MST ou de outros movimentos sociais.
“Acho que nós temos um exemplo em relação ao mundo. Não conheço nenhum país que tenha feito tantos assentamentos ao longo da nossa história. Foram 1 milhão, sendo que 590 mil no governo Lula. Quase 60% de tudo que foi feito em assentamento foi feito durante os últimos sete anos e meio. Nós vamos continuar a reforma agrária não porque o MST quer a reforma ou outro movimento queira. Nós vamos continuar fazendo reforma porque é bom para o Brasil”, disse.
A candidata ainda criticou a reforma agrária feita em governos anteriores. “Não adianta fazer reforma agrária como no passado, colocando a pessoa no fim do mundo, não dando estrada não dando crédito, não dando educação”, disse.
No evento, Dilma foi cobrada a tratar de questões sensíveis ao campo. No discurso de apoio, a secretária e Mulheres da Contag, Carmem Foro, cobrou de Dilma a inclusão dos pontos considerados radicais na plataforma de seu governo. “A reforma agrária tem que ser pauta prioritária do futuro governo e isso significa ter atualização dos índices de propriedade e o limite de propriedade da terra que são elementos imprescindíveis para tirar homens e mulheres que ainda vivem em péssimas condições no país”, disse.
A Contag defende a atualização dos índices de produtividade para a promoção de reforma agrária, o limite de acesso à terra por pessoas físicas e jurídicas brasileiras e estrangeiras e revogação das medidas provisórias editadas pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso “que criminalizam a luta pela terra e suas organizações”.
Os pontos estavam na primeira versão do programa de governo entregue pelo PT ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mas que foi trocado por ser considerado radical. No segundo programa de governo, a petista retirou esses pontos e deixou um conceito amplo sobre reforma agrária. A campanha petista promete uma terceira versão do programa que deve ser finalizada até o dia 10 de agosto a partir de ideias apresentadas pelos dez partidos que compõem a coligação.


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