
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), soltou os cachorros ontem contra o comando da campanha da petista Dilma Rousseff. A razão é simples e foi estampada nas páginas da VEJA desta semana: o PT já tinha criado — ou tem pronto — um novo bunker para fabricar dossiês. Mais uma vez, o alvo era (ou é ainda?) o tucano José Serra. Tratei do assunto aqui num post no sábado: “DESBARATADO, POR ENQUANTO, UM NOVO COVIL DE ALOPRADOS. ATÉ QUANDO?” . A íntegra da reportagem da VEJA está aqui.
Como tudo o que diz respeito ao submundo, a história é enrolada, verdadeiramente rocambolesca. O coordenador da operação era Luiz Lanzetta, da Lanza Comunicação, um homem-empresa oficialmente contratado para atuar na produção dos programas de Dilma Rousseff para a TV. Foi levado para a campanha por Fernando Pimentel, o “homem” de Dilma no grupo. O objetivo era pegar Serra, mas, no meio do caminho, Lanzetta se desentendeu com sua rima pobre, Garreta (Valdemir), ex-secretário de Marta Suplicy, que estaria de olho no, sei lá como chamar, mesmo ”cargo”. A espionagem teria chegado a Rui Falcão, que resolveu “rodar a paulista”.
Seja como for, a rapaziada estava e está contratada — há um policial federal, um ex-jornalista, um bando de faço-qualquer-negócio —, mas uma parte do comando do PT, apurou a VEJA, mandou desmobilizar a turma da pesada.
Volto a GuerraSérgio Guerra fez o óbvio. Cobrou a resposta de quem tem de responder: Dilma Rousseff. Vênia máxima, é preciso convir que ela não é estranha a esse mundo dos dossiês. Sob a sua gestão, na Casa Civil, fez-se um contra FHC e contra Ruth Cardoso — outras pessoas sérias podem ter pisado em Brasília; como Dona Ruth, é difícil. Nada intimidou os valentes. Quem coordenou os trabalhos foi a agora sucessora de Dilma na pasta, então secretária-executiva: Erenice Guerra. Na tradição da impunidade petista, ela ganhou como prêmio a Casa Civil.
Lanzetta chegou à campanha pelas mãos da turma de Dilma. Se o próprio PT considerou a coisa grave a ponto de até Rui Falcão ter-se sentido espionado, pergunta-se: ninguém será demitido? Vai ficar todo mundo por lá? Quem pagava o trabalho com dinheiro vivo? Quem era o chefe da operação?
Pimentel deu a entender que o “trabalho” chegou a ter um lado, digamos, não-doloso. Uma equipe teria sido mobilizada para verificar se havia espionagem etc. É mesmo, é? O ex-prefeito de Belo Horizonte deveria se lembrar da frase de Golbery do Couto e Silva quando se sentiu espionado pelo SNI: “Criei um monstro”. Pimentel — e isso quer dizer: Dilma — criou o monstro? Tentou administrar o monstro? Quis brincar com o monstro? Alguma explicação tem de ser dada.
O fato é que a operação suja foi descoberta. A questão é saber se o partido decidiu renunciar à baixaria ou deixou o esquema apenas adormecido, para ser despertado, se necessário, ao sabor das pesquisas eleitorais.
Se ninguém cai, Dilma assina o recibo da contratação dos aloprados.

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