PP prefere neutralidade nacional e desagrada governistas

Márcio Fortes
O Partido Progressista (PP) tem reunião marcada na semana que vem para discutir as alianças estaduais e a perspectiva nacional nas eleições. O senador Francisco Dornelles (RJ) pediu que fosse feito um levantamento dos diretórios que se aliaram com o PT e com o PSDB para definir o apoio da legenda nas presidenciais. O ministro das Cidades, Márcio Fortes (PP), disse ao Terra que, se o levantamento passado for mantido (onde o apoio ao PT era maioria), não haverá "constrangimentos" por integrar o governo Lula. Mas, segundo o secretário-geral pepista, Aldo da Rosa, há um consenso entre as direções de que é melhor manter a neutralidade nacional para permitir que, nos Estados, a legenda possa definir as alianças sem o constrangimento de ter que ir contra a um possível apoio nacional.
Na última pesquisa feita pelo PP, conta o ministro, entre 20 e 22 diretórios se aliaram com partidos governistas. "Os demais, em função das candidaturas locais, estão com o outro candidato (Serra)", disse. O PSDB flerta com o PP em diversos Estados e estuda colocar o senador Francisco Dorneles (RJ) como vice do pré-candidato tucano à presidência, José Serra. "O máximo seria que não nos posicionemos e coloquemos o partido na neutralidade", disse o ministro.
Embora faltem as formalizações, que serão feitas na convenção entre os dias 27 e 30 de junho, o PP está, em alguns Estados, bem definido ou próximo da definição. Fecha com o PSDB no Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. E com o PT, fecha aliança no Rio de Janeiro, Ceará e Bahia. Em Santa Catarina, tem mantido conversas com o DEM, PSDB e PT, e em São Paulo tem candidato próprio ao governo - Celso Russomano. Líderes tucanos dão a batalha por vencida ao garantir o voto a Serra nos diretórios conquistados e comemoram a neutralidade, caso ela aconteça: "pelo menos não fecham com Dilma".
O secretário Aldo Rosa tem percorrido os Estados e mapeado de que lado os diretórios regionais estão, se PT ou PSDB. Ao Terra, disse que não estar oficialmente em nenhuma coligação é muito mais vantajoso e "traria menos problemas". "Nos Estados, o PP faz as composições que achar necessário, vamos respeitar todas as decisões. Aldo ressaltou que "a tendência natural é deixar livre a nacional, permanecer neutra, para não amarrar em cima um apoio".
Márcio Fortes afirma que a decisão final será tomada, após avaliarem se as locais influenciam ou não numa posição nacional. "Ou se a posição nacional perturba ou não as posições locais". No entanto, o secretário pepista garante que a direção nacional "não tem força para enfrentar as regionais do partido caso entreguem o tempo de televisão para algum dos presidenciáveis".
Segundo o secretário, não foi enviada nenhuma proposta formal pelo PSDB para que a legenda integre a candidatura Serra. "Ele tem nossos votos em alguns Estados, assim como Dilma também tem, estar formalmente em uma coligação nacional seria prejudicial para o crescimento do partido, já que não temos projeto nacional e priorizamos o crescimento regional", explicou. Fortes endossa o correligionário e reitera que não houve convite formal e ressalta que neste período de negociações há muita especulação. "Eu não aceito qualquer tipo de chantagem de modo geral. Pode negociar com ética e não dizer "só voto se...". Não pode haver qualquer tipo de recompensa", acrescentou.
Aldo também destaca que o que está sendo cobiçado é "apenas o tempo de televisão", tendo em vista que os desenhos regionais estão sendo definido pelas próprias estaduais. Questionado sobre o fato de integrarem o governo Lula - Márcio Fortes, do PP, é ministro das Cidades -, o secretário responde que "integrar o governo não obriga a fazer parte da chapa eleitoral".
"Queremos evitar dissidências, como as que o PMDB enfrenta", justificou. Os peemedebistas apoiam a candidatura da petista Dilma Rousseff ao Planalto e têm a vaga de vice garantida ao deputado paulista Michel Temer. Mas o próprio PMDB de São Paulo não reproduz a aliança nacional e integra a chapa de Geraldo Alckmin (PSDB) para o governo do Estado.

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