Lula reclama de derrapagem e Palocci ganha terreno
José Cruz/Ag.Senado
O Quartel General da campanha de Dilma Rousseff sofrerá um rearranjo nas próximas semanas. Deixará de ter um comando múltiplo.
O Quartel General da campanha de Dilma Rousseff sofrerá um rearranjo nas próximas semanas. Deixará de ter um comando múltiplo.O poder decisório será gradativamente concentrado nas mãos do deputado Antonio Palocci, homem de Lula no comitê.
Palocci travava com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, uma disputa dissimulada. Prevaleceu.
Em privado, Lula revelou-se irritado com a descoberta de que um grupo de “neoaloprados” operou nos subterrâneos do comitê de Dilma.
O blog conversou, na madrugada deste sábado (5), por telefone, com um dos operadores da campanha petista.
Contou que Lula abespinhou-se sobretudo por considerar que o noticiário negativo chega num instante em que Dilma vive o seu melhor momento.
Não é hora de derrapagem, teria dito o presidente. Acha, de resto, que não se ganha eleição com denúncias.
No Planalto, associa-se a operação tida por desastrada a Fernando Pimentel. De resto, tenta-se afastar a candidata da confusão.
Dilma nada teria a ver com a malograda tentativa de montagem de um grupo de espionagem para recolher material contra o rival José Serra.
Ao contrário. Vende-se a tese de que Dilma, assim que soube da movimentação do jornalista Luiz Lanzetta (na foto), amigo de Pimentel, mandou fechar o porão.
Em prejuízo dessa versão, há o fato de que a empresa de Lanzetta, a Lanza Comunicação, contratada pelo PT para atuar na campanha, não teve o contrato rescindido.
Alega-se que Lanzetta teria apenas se informado sobre o teor de uma apuração realizada por outro repórter: Amaury Ribeiro Jr., também próximo a Pimentel.
Apuração antiga, que se destinaria à publicação de um livro. Há na peça dados pouco lisonjeiros sobre Serra e o tucanato. Daí o interesse de Lanzetta.
De novo, a versão oficial serve-se de meias-verdades. Lanzetta não se limitou a ouvir o amigo Amaury.
Promoveu, com a presença dele, uma reunião cujo objetivo era a obtenção dados frescos. Nada a ver com o mercado editorial.
Tomado pelas declarações do delegado aposentado Onézimo Sousa aos repórteres Policarpo Junior e Daniel Pereira, o encontro visava propósitos sombrosos.
Deu-se em abril a tentativa de Lanzetta de dotar a campanha de Dilma de um grupo de espionagem.
Mesmo sem atribuir responsabilidades a Pimentel, que nega participação no episódio, o PT e Lula vão cuidar para que ele deslize suavemente para fora da campanha.
Não se vai utilizar o vocábulo afastamento. Menciona-se, desde logo, a “necessidade natural” que Pimentel terá de se dedicar à sua própria campanha, em Minas.
A depender dos planos traçados em Brasília, Pimentel irá às urnas como candidato ao Senado, não ao governo mineiro, como pretendia.
Quanto ao caso do dossiê, providencia-se para Pimentel um escudo. Afirma-se que jamais partiria dele um plano que tivesse como alvo Rui Falcão (PT-SP).
Um dos alegados objetivos de Lanzetta, além de espionar José Serra, seria o de perscrutar os passos de Falcão.
Por quê? Suspeitava-se que Falcão estivesse vazando detalhes de reuniões estratégicas do comitê de Dilma.
Pois bem, diz-se que Pimentel e Falcão são amigos comuns de Dilma do tempo da militância contra a ditadura.
Algo que desautorizaria a tese segundo a qual Pimentel estaria por trás das ações de Lanzetta. A despeito disso, o leme da campanha irá às mãos de Palocci, agora sem interferências.
Tomando-se a sério o script oficial, será necessário aceitar que Lanzetta reuniu-se com gente especializada em investigação, expôs planos e cifras e não informou ao comitê –ou a parte dele— nada do que se passava no porão.
Escrito por Josias de Souza às 05h1

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