PT e PSDB preparam a artilharia para o horário eleitoral gratuito
| Agencia o Globo/Gerson Camarotti |
| O Globo - 06/06/2010 |
ELEIÇÕES 2010: Em foco, rejeição contra FH e inexperiência eleitoral de Dilma Petistas vão comparar eras Lula e Fernando Henrique; tucanos trarão polêmicas A um mês do início da campanha oficial, os comandos das duas principais candidaturas presidenciais já traçam as estratégias que serão adotadas por seus candidatos tanto nos debates e palanques, como nos programas eleitorais na televisão que vão ao ar nos meses de agosto e setembro. Com o atual cenário das pesquisas eleitorais, que aponta uma disputa acirrada entre os pré-candidatos Dilma Rousseff, do PT, e José Serra, do PSDB, as coordenações das duas campanhas preparam uma artilharia pesada para o horário eleitoral gratuito. O recente episódio da elaboração de um suposto dossiê pelo núcleo de inteligência petista contra Verônica Serra, filha de José Serra, esquentou ainda mais a disposição dos tucanos de ir para o ataque. A estratégia da campanha do PSDB será no sentido de desconstruir a imagem da petista Dilma Rousseff construída com empenho e cuidado pelo presidente Lula. Já existe no comando tucano a decisão de explorar a participação de Dilma em episódios polêmicos recentes, como o suposto dossiê elaborado na campanha petista, e em anteriores, quando ainda estava no governo. Já a ordem da equipe de Dilma é partir para o contra-ataque e estabelecer ao máximo comparações entre o governo Lula e o de Fernando Henrique Cardoso. Feita a associação da imagem de Serra com a de Fernando Henrique, o PT vai explorar a rejeição do ex-presidente detectada em pesquisas de opinião e de intenção de votos. Embate afetado pelas pesquisas Ao mesmo tempo, a estratégia do marqueteiro petista João Santana é de blindar Dilma, utilizando a popularidade recorde de Lula. - Há uma tentativa permanente da oposição de fugir ao debate quando há comparação entre os governos Lula e FH. Todos fogem da luta quando o terreno é desfavorável. E, neste caso, a comparação é desastrosa para os tucanos. Por isso, eles querem esconder no armário o esqueleto de Fernando Henrique - provoca o secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Cardozo (SP), coordenador da campanha de Dilma. A tendência de um embate mais agressivo na campanha é influenciada pelas mudanças nas pesquisas recentes, que identificaram um crescimento da petista Dilma Rousseff. Para neutralizar a influência de Lula, os tucanos apostam que o marqueteiro do PSDB, Luiz Gonzalez, explorará ao máximo o chamado "choque de biografias", destacando a experiência eleitoral de Serra em oposição à falta de liderança política de Dilma. Todo o esforço do PSDB será para tentar sair da "armadilha" de comparação dos governos Lula e FH, para estabelecer um enfrentamento direto entre Dilma e Serra. Para isso, querem desmontar a versão de Dilma como a grande técnica do governo, e apresentar falhas de gestão. Um exemplo citado no PSDB é que a "mãe do PAC" eleita por Lula não teria conseguido gerenciar bem o Programa de Aceleração do Crescimento. - Vamos mostrar biografias. Nosso papel é comparar Dilma e Serra, e mostrar quem será o presidente do Brasil. Enquanto Serra disputou todos os cargos públicos, ganhando e perdendo, terá uma adversária que nunca disputou uma eleição. A Dilma é uma imposição da popularidade de Lula. Ela nunca foi líder. Agora o PT deseja impor à maioria do eleitorado uma candidatura que recebeu como imposição. Vamos decidir quem vai ser o líder do Brasil e quem terá capacidade de enfrentar e resolver os problemas de forma efetiva - afirma o deputado Jutahy Junior (BA), ex-líder do PSDB. O PSDB está disposto a resgatar o dossiê feito há dois anos na Casa Civil, quando Dilma era a ministra, sobre os gastos feitos com cartão corporativo na gestão Fernando Henrique. Outro episódio na mira dos tucanos está relacionado às retificações no currículo da ex-ministra, que tinha sido turbinado com mestrado e doutorado que não foram concluídos. O PSDB também deve resgatar no debate eleitoral a contradição de versões sobre o suposto encontro entre Dilma e a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira. No suposto encontro, a ex-chefe da Casa Civil teria pedido urgência nas investigações do Fisco na contabilidade das empresas da família Sarney, para, supostamente, tirá-lo do foco. Dilma negou o encontro. - Serra tem biografia transparente, sem camuflagem. Quem sabe de fato quem é a Dilma? O que sabemos de público é que ela apresentou um currículo que não era verdadeiro, várias versões para o dossiê da Casa Civil e a negativa do encontro com a secretária da Receita. E, agora, ela aparece com o dossiê montado nos subterrâneos dessa gente ficha-suja - dispara Jutahy, dando o novo tom da campanha. - Se a oposição espera nos desmontar com ataques que tentam desqualificar Dilma, estará cometendo um erro infantil. Quanto mais a população conhecer a Dilma, mais será acentuado o equívoco político dessa tática. Não há por que esconder a nossa candidata - rebate o petista José Eduardo Cardozo. |

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