‘Situação do PSDB em 2010 é melhor que a de 2006’
Derrotado por Lula na sucessão de 2006, Geraldo Alckmin acha que o desafio de José Serra, em 2010, é menor do que o enfrentado por ele.Por quê? “O Lula não é candidato. [...] Eu disputei com um presidente que tinha a caneta cheia...”
“...Outra coisa é disputar com o indicado, uma ex-ministra. E agora estamos mais bem estruturados nacionalmente, inclusive no Nordeste”. Leia abaixo:

- Na eleição municipal de 2008, o sr. não foi nem ao segundo turno. Por que acha que vai vencer agora? Na eleição passada, comecei e terminei praticamente com o mesmo percentual de votos, 22%, 23%. Entrei e saí com um quarto do eleitorado.
- A que atribui a derrota? O Kassab se beneficiou da reeleição. O prefeito que tinha pior avaliação era o de Salvador [João Henrique, do PMDB]. Foi reeleito, como todos praticamente. Hoje, eu tenho algo como 50% na pesquisa. É diferente.
- Lula pedirá votos para Dilma e Mercadante. Acha que terá peso? Ele ajuda, claro, no Brasil inteiro. É um grande patrocinador de candidaturas. Mas é bom lembrar que, aqui em São Paulo, venci o Lula em 2006. Tive 11,9 milhões de votos. Ele, cerca de 8 milhões. Ganhei nos dois turnos em SP, RS, SC, PR, MT, MS e RR.
- O PSDB espera que Serra abra 4 milhões de votos sobre Dilma em São Paulo. Acha factível? Não acho adequado estabelecer números. Vamos trabalhar para ter a maior diferença possível. O Serra está na frente da Dilma no Estado. E vamos trabalhar para aumentar a diferença.
- Suas desavenças com Serra foram superadas? Não há desavenças. Sou amigo do Serra há 30 anos. Meu apoio foi vital para a vitória do Serra na prefeitura. Eu, como governador, tinha 69% de ótimo e bom. Quando veio a sucessão, em 2006, era mais lógico o Serra ser candidato a governador. Justificava melhor a saída dele da prefeitura. Eu não podia mais disputar o governo. E não havia outro nome forte. Eu fui à eleição presidencial. Deu-se o que era lógico. Imagine se tivesse sido o contrário. De repente, nós tínhamos perdido tudo. Agora, estou muito otimista.
- Seu otimismo se transfere para a cena nacional? Sem dúvida. Não há eleição fácil, mas a vitória do Serra é possível. O Lula não é candidato. Ele transfere votos? Claro que transfere. Mas uma coisa é ele ser candidato outra é apoiar uma candidata. Eu disputei com um presidente que tinha a caneta cheia. Outra coisa é disputar com o indicado, uma ex-ministra. E agora estamos mais bem estruturados nacionalmente, inclusive no Nordeste.
- Mas o Nordeste não é o ponto fraco do PSDB? A diferença vai ser menor do que se imagina.
- Por quê? No Rio Grande do Norte, com a Rosalba [Ciarlini, do DEM], vamos ganhar a eleição. No Piaui, o Silvio Mendes [PSDB] é favorito. Em Pernambuco, o Jarbas Vasconcelos [PMDB] vai ter uma votação maravilhosa. Em Sergipe o João Alves [DEM] está colado no Marcelo Déda [PT]. Na Bahia, a diferença do Paulo Souto [DEM] para o Jaques Wagner [PT] é de apenas oito pontos. Em Alagoas, o Teotônio Vilela [Filho, PSDB] é governador. Começando a campanha, ele vai se impor. Há também o Pará, no Norte. Ali, o Simão Jatene [PSDB] está em primeiro lugar. No Centro-Oeste: Siqueira Campos está quase eleito no Tocantins. Marconi [Perillo, PSDB] é favorito em Goiás. O André Pccinelli [PMDB] é favorito no Mato Grosso do Sul. Então, a eleição é dura, mas estou seguro: a situação de 2010 é melhor do que foi a de 2006.
Escrito por Josias de Souza

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