13/06/2010 Lula faz de Dilma sua genérica: ‘Eu mudei de nome’Valter Campanato/ABr ![]() José Serra jacta-se de ter popularizado, como ministro da Saúde de FHC, os medicamentos genéricos. Pois bem, condutor de sua própria sucessão, Lula impõe a Serra um genérico de si mesmo. Reforçou a tática neste domingo (13). Ao discursar na convenção nacional do PT, Lula recordou que não poderá disputar a eleição presidencial. “Vai haver um vazio naquela cédula”, disse, em timbre emocional. “Para que o vazio seja preenchido, eu mudei de nome e vou colocar a Dilma lá". Hiper-popular, o ‘cabo eleitoral’ não poderia ter soado mais explícito: em 2010, Lula se chama Dilma, Rousseff virou Silva. Estrela de um encontro em que a candidata deveria brilhar sozinha, Lula cuidou de associar a oposição à baixaria e à falta de discurso: "Esperamos que os nossos adversários estejam dispostos a fazer uma campanha para discutir programa e não façam jogo rasteiro para discutir dossiê todo dia". Enveredou por um faz-de-conta que ignora os fatos. A usina de dossiês foi reaberta nos porões do comitê de sua candidata. Como que decidido a desconversar, Lula dirigiu a Dilma e ao vice dela, o pemedebê Michel Temer, um pedido de calma: "O bicho vai pegar. A tranquilidade de vocês é o que vai garantir que a gente ganhe as eleições". Em resposta a Serra, que na véspera pespegara em sua pupila a pecha de “paraquedista”, Lula realçou a passagem de Dilma pelo governo. Disse que sua ex-ministra, cristã nova no PT e noviça em urnas, acumulou "conhecimento e experiência". Afirmou que ela sabe selecionar mão-de-obra: "A companheira sabe montar equipe, e o milagre da governança é você saber montar a equipe". ![]() No mais, Lula envernizou a gestão que, segundo diz, Dilma vai continuar. Entre 2003 e 2010, “14 milhões de empregos”... ...Mais universidades, mais escolas técnicas, nova classe média, economia estável e PIB em alta. “Este país mudou”, disse. Por último, um recado à militância: “Humildade”. Nada de “já ganhou”. Atenção máxima: “Não existe eleição fácil”. Alheia aos ataques do Serra da véspera, Dilma pronunciou um discurso assentado em dois pilares: o programa e o apelo ao voto feminino. Coube à periferia petista rebater Serra. Ele “saiu do armário”, disse o ministro Alexandre Padilha (Articulação Política). Revelou-se, afinal, o “anti-Lula”. “Vejo uma frase do candidato da oposição que diz 'comigo o povo brasileiro não terá surpresas'”, ecoou o presidente do PT, José Eduardo Dutra. “É verdade, o povo brasileiro não teria surpresa porque já conhece o fracasso do governo que ele participou", completou Dutra, grudando FHC em Serra. E Dilma: "Chegou a hora de uma mulher comandar o país". Não uma Marina Silva qualquer. "Uma mulher que vai continuar o Brasil de Lula, mas que vai governar com a alma e coração de uma mulher". Como Lula, ela ignorou a reedição abortada da ‘alopragem’ de 2006. “Nessa campanha, vamos debater em alto nível, confrontar projetos e programas...” “...Vamos mostrar que somos diferentes dos outros candidatos. Mas, depois de eleitos, governaremos para todos os brasileiros, sem exceção". O apelo ao voto feminino é inspirado nas pesquisas. Empatada com Serra em 37% na média geral, Dilma perde para o rival entre as mulheres. De resto, para assegurar a super-dosagem de Lula, a convenção foi embalada ao som de um jingle que gruda o cabo eleitoral à candidata. Num trecho: “Lula tá com ela/Eu também to/Veja como o Brasil já mudou/Mas a gente quer mais/Quer mais e melhor/É com a Dilma que eu vou”. Noutro: “Lula tá com ela/Eu também to/Veja como o Brasil já mudou/Mas a gente quer mais/Quer mais e melhor/É com a Dilma que eu vou”. É improvável que Serra faça do ataque a Lula a prioridade de sua campanha. Deve concentrar-se em Dilma. Na convenção deste domingo, Lula serviu o antídoto: “Eu mudei de nome”. É como se dissesse: Bateu nela, bateu em mim. Escrito por Josias de Souza |
Assinar:
Postar comentários (Atom)



Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.