PSDB lança Alckmin neste sábado, com Serra e FHC
Candidato tentará vender a ‘continuidade com mudança’Daniel Kfouri

O PSDB realiza neste sábado (8), com a presença de José Serra e de FHC, a festa de lançamento da candidatura de Geraldo Alckmin ao governo de São Paulo.
Alckmin vai às urnas nas pegadas de duas derrotas: para Lula, na rinha presidencial de 2006; para Gilberto Kassab, na eleição municipal de 2008.
Tomado pela estatística, o candidato tucano sobe ao ringue com o semblante de favorito: 53% das intenções de voto, segundo o Datafolha.
Visto sob a ótica partidária, Alckmin entra na disputa com um patrimônio de que não dispunha nas eleições anteriores: a unidade.
Deve-se a inédita coesão do PSDB a uma confluência de interesses. Convém ao presidenciável José Serra que Alckmin vá bem na eleição.
Serra deseja arrancar das urnas paulistas uma dianteira de pelo menos 4 milhões de votos sobre a rival petista Dilma Rousseff.
Dá-se de barato entre os tucanos que Dilma, carregada por Lula, baterá Serra nas urnas do Norte e do Nordeste.
O palanque de São Paulo, importante em qualquer eleição, tornou-se vital para Serra. Daí o estreitamento da inimizade com Alckmin.
Serra ruminava seus rancores desde 2006, ano em que foi batido por Alckmin numa renhida disputa interna pela vaga de candidato ao Planalto.
Em 2008, sobreveio o troco. Serra como que patrocinou a derrota de Alckmin na disputa pela prefeitura de São Paulo.
Instalado no governo, Serra prestigiou a candidatura reeleitoral do ‘demo’ Gilberto Kassab. Tentou impedir que Alckmin entrasse na disputa.
Vencido, Serra produziu no interior do tucanato uma dissidência que conspurcou as pretensões do “companheiro” de legenda.
Minado pelos silvérios tucanos, Alckmin amargou um constrangedor terceiro lugar. Kassab triunfou no segundo turno, contra a petista Marta Suplicy.
O armistício começou a ser construído em 2009. Já de olho no projeto presidencial, Serra entregou a Alckmin uma cadeira estratégica de sua gestão.
Confiou-lhe a Secretaria de Desenvolvimento do governo de São Paulo. Uma vitrine que permitiu a Alckmin achegar-se aos prefeitos do Estado.
Pacificada a relação, Serra passou a reconstruir a unidade que ele ajudara a demolir. Primeiro, reaproximou Alckmin e Kassab.
Depois, administrou as próprias vontades. Preferia a candidatura de Aloysio Nunes Ferreira, seu chefe do Gabinete Civil, à de Alckmin.
Mas Aloysio, menos de 2% nas pesquisas, seria um “poste” pesado demais. Teve de se render aos mais de 50% de Alckmin.
Para tornar-se candidato, Alckmin teve de engolir uma chapa mastigada por Serra. Na vice, Guilherme Afif Domingos (DEM).
Numa das vagas ao Senado, Orestes Quércia (PMDB). Noutra, Aloysio Nunes. Aqui, uma derradeira desavença.
Expoente do grupo de Alckmin, o deputado José Aníbal reivindicava a vaga que Serra destinara a Aloysio. Ameaçou quebrar lanças. Exigiu prévias. Porém...
Porém, premido por Serra, Alckmin terminou convencendo Aníbal, na última hora, a desistir do Senado. Selou-se, em definitivo, a unidade.
Para reforçar o elo entre uma campanha e outra, Serra e Alckmin terão o mesmo marqueteiro, Luiz González.
Encomendou-se a González uma mágica: na campanha nacional, terá de vender um Serra capaz de mudar sem comprometer a continuidade do legado de Lula.
Na seara estadual, terá de propagandear um Alckmin capaz de continuar os 15 anos de tucanato atenuando a longevidade com mudanças.
Pesquisa feita por encomenda do PSDB dá uma idéia do tamanho da feitiçaria que terá de ser operada em São Paulo.
Segundo informou ao blog um dos operadores políticos de Alckmin, a sondagem indicou que cerca de 60% dos entrevistados desejam mudanças em São Paulo.
Porém, para infelicidade de Aloizio Mercadante, o principal rival de Alckmin, dois terços desse eleitorado rejeita a idéia de acomodar o PT no comando do Estado.
Munido desses dados, o tucanato elabora para Alckmin uma plataforma baseada no discurso da “continuidade com mudanças”. Seja lá o que isso signifique.
Escrito por Josias de Souza

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