Razões do Blog


Este blog foi criado para apoiar a candidatura de José Serra à presidência do Brasil, por entendermos ser o candidato mais preparado, em todos os aspectos pessoais, políticos e administrativos. Infelizmente o governo assistencialista de Lula e a sua grande popularidade elegeram Dilma Rousseff.
Como discordamos totalmente da ideologia e dos métodos do PT, calcados em estatismo, corporativismo, aparelhamento, autoritarismo, corrupção, etc., o blog passou a ser um veículo de oposição ao governo petista. Sugestões e comentários poderão ser enviados para o email pblcefor@yahoo.com.br .

sábado, 13 de novembro de 2010

Entrevista com Roberto Jefferson

Roberto Jefferson


"Para ajudar Dilma, Lula deveria presidir o PT"
O presidente do PTB diz que o Partido dos Trabalhadores pode trazer problemas para Dilma Rousseff por causa de cargos no governo
Hugo Marques
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DE FORA
Jefferson diz que não participará das conversas
para o preenchimento de cargos no governo
Conhecido por comprar brigas indigestas, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, criticou, durante a campanha, até mesmo o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, seu aliado, por ter demonstrado “constrangimento” com sua presença na campanha. Desde que teve seu mandato de deputado cassado na esteira do escândalo do Mensalão – o qual foi o principal denunciante –, Jefferson se tornou uma espécie de palpiteiro político profissional. Com a autoridade de quem conhece como poucos os labirintos do poder na capital federal, não há assunto sobre o qual ele não tenha uma opinião, uma visão particular ou alguma frase de efeito para disparar. Sobre a presidente eleita Dilma Rousseff, Jefferson é só elogios: “Ela é tocadora de governo. O governo do Lula cresceu a partir da presença dela na Casa Civil.” Mas ele faz um alerta sobre a possível influência no governo de seu desafeto histórico, o ex-ministro José Dirceu. “A Dilma não pode é deixá-lo tomar conta do governo. Ele tem muita ambição.” Em entrevista à ISTOÉ, Jefferson dá uma sugestão para acalmar o partido e ao mesmo tempo ajudar o governo Dilma: “Eu penso que o Lula, para ajudar a Dilma, deve assumir a presidência do PT.”
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"José Dirceu tem muita ambição. A Dilma não
pode é deixá-lo tomar conta do governo”
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“O Serra se mostrou constrangido com meu apoio. Não gostei
do papel dele comigo. 
Isso é pior do que ser adversário"


ISTO É -                                         Em sua opinião, a presidente Dilma pode fazer um bom governo?
ROBERTO JEFFERSON - Pode, porque ela é capaz. Ela é tocadora de governo. Eu já fazia essa previsão quando fui cassado e o José Dirceu também. Eu dizia: “Ela vai moralizar a Casa Civil, vai arrumar, vai dar tranquilidade ao Lula, porque o José Dirceu está conspurcando a sacristia na beirada do altar. Ela vai limpar a área.” E não deu outra. O governo do Lula cresceu a partir da presença dela na Casa Civil.
ISTOÉ -
A Dilma terá a mesma independência de Lula em relação ao PT?
ROBERTO JEFFERSON -
Não. A liderança é dele, não é dela. Penso que o caminho bom para o Lula é ser o presidente do partido. Aí, sim, vai influir nas reformas. Todo presidente de partido tem seu peso. Com sua autoridade política, ele tem de assumir a presidência do PT para ajudar a dar estabilidade ao governo da Dilma. Se ele ajudou a fazer dela presidente, ele vai ter de ajudá-la a governar. E ele, correndo assim a lateris (na margem), fica sempre como o ex-presidente. Assumindo a cadeira do PT, ele vai ter a legitimidade de presidir o partido que tem a presidente da República.
ISTOÉ -
O presidente Lula diz que pode ajudar a tocar a reforma política. Não seria melhor ele sair de cena?
ROBERTO JEFFERSON -
Eu penso que o Lula, para ajudar a Dilma, deve assumir a presidência do PT. Ele vai ter de botar freio na turma. Uma coisa é a Dilma. Ela é uma pessoa que pode ser feita de refém muito rapidamente.
ISTOÉ -
O PT, então, pode criar problemas para a presidente Dilma?
ROBERTO JEFFERSON -
Certamente, vai criar. Se não reverterem essas coisas de dossiês, de desconstruírem pessoas, de desconstruírem uns aos outros, ficará complicado. Aquela luta tribal parece uma coisa de xiita, a tribo tal contra a tribo tal.
ISTOÉ -
Então o sr. acha melhor o Lula agir de forma mais aberta do que trabalhar nos bastidores?
ROBERTO JEFFERSON -
Nos bastidores, ele será uma sombra do poder o tempo inteiro. O que não é bom para ela. As coisas têm de ser claras. A opinião pública exige isso. Penso que ele deve assumir a presidência do PT para dar legítima estabilidade ao governo da Dilma.
ISTOÉ -
A presidente Dilma deveria fazer um governo de conciliação?
ROBERTO JEFFERSON -
Claro, ela é ainda uma liderança frágil. Ela é uma liderança que foi feita, ela não se fez, precisa de tempo para amadurecer. Vai entrar pisando com ódio, sendo chicote do Lula? Vai dizer claramente para o Brasil que ela é manipulada, que não tem vontade pessoal? É jogar fora todo o cacife de confiança que conquistou, ainda fragilmente, porque a vitória é do Lula, depois é dela. Ela não se consolidou líder ainda.
ISTOÉ -
Que peso o Aécio Neves vai ter na cena política?
ROBERTO JEFFERSON -
Ele é um grande moderador. Ele vai ser um grande moderador dos ressentimentos que ficaram por causa da radicalização eleitoral.
ISTOÉ -
Há risco de não haver consenso na disputa pela presidência da Câmara entre PT e PMDB?
ROBERTO JEFFERSON -
Eles têm de dividir agora para somar na frente. Se os dois partidos disputarem, os blocos que estão nascendo vão acabar se coligando numa corrente contra a outra e vai haver enfraquecimento de um lado ou de outro. E pode resultar em algo como a eleição do Severino Cavalcanti. Essas coisas, quando começam a rachar, permitem o surgimento dos Severinos. Isso não é bom. Esses homens têm de ter cabeça para não permitir que nasça um novo Severino.
ISTOÉ -
A guerra será acirrada entre PT e PMDB?
ROBERTO JEFFERSON -
Será muito acirrada. A base do PT é muito pobrezinha, um pessoal de sindicato que está chegando agora ao poder. Então, vem com uma fome e uma disposição para o poder muito grande. E, quando chega lá, é um vale-tudo para sentar na cadeira. A ordem é: “Vamos desalojar o outro.” É um negócio muito pesado.
ISTOÉ -
Se convidado, o PTB vai negociar ministério no governo?
ROBERTO JEFFERSON -
Não quero participar dessas conversas. O PTB tem lá seus braços nas bancadas, sei que tem já ambições colocadas, gente até que tem valor para ter, mas não quero conversar sobre isso. Desejo à Dilma todo o sucesso. A bancada do partido já apoia na maioria das vezes o governo no Congresso. No Senado, há um articulador que é amigo dela, o senador Gim Argello, o líder, assim como o Jovair Arantes, na Câmara.
ISTOÉ -
O PR, o PP e o PTB discutem a montagem de um bloco no Congresso para ter mais peso na atuação e negociar cargos. O caminho é esse mesmo?
ROBERTO JEFFERSON -
Entendo que sim. Ainda mais que no PP há um homem do tamanho do Francisco Dornelles a presidir. Penso que é um dos maiores políticos do Brasil. O bloco dá mais força. Ninguém constrói só.
ISTOÉ -
O PTB tem seis senadores e 21 deputados. Essa bancada vai ficar na base do governo?
ROBERTO JEFFERSON -
A tendência é tratar isso com independência. Há temas em que o PTB não pode acompanhar o governo. O PTB não vai negar a governabilidade. Mas, mexer na Previdência para diminuir as condições do trabalhador e do pensionista, o PTB não entra nessa. Mudança na CLT sem consulta à classe trabalhadora, o PTB também não fará. Vamos lutar para derrubar o fator previdenciário.
ISTOÉ -
Como o sr. vê a possibilidade de José Dirceu integrar o governo Dilma?
ROBERTO JEFFERSON -
Se ele for absolvido, ninguém poderá impedir que ele volte. A Dilma não pode é deixá-lo tomar conta do governo. Ele tem muita ambição. Se for absolvido, não vejo nenhum problema de ele voltar.
ISTOÉ -
O sr. tem alguma relação com José Dirceu?
ROBERTO JEFFERSON -
A última vez que vi o José Dirceu pessoalmente foi na Comissão de Ética. Não me arrependo do embate que tive. Eu precisava sobreviver moralmente. Eu não me preocupei com o mandato. Por isso, não renunciei, enfrentei até o final a luta. Entrei pela porta da frente e saí pela porta da frente. É mais importante você ficar de pé do que “viver deputado” de joelho. Hoje, eu prefiro conversar com o Palocci. Deixa o Zé em paz lá, no canto dele. Para mim, o Palocci é um dos maiores quadros do PT.
ISTOÉ -
Alguém deve ser condenado no processo do Mensalão?
ROBERTO JEFFERSON -
Penso que há no processo muita prova densa contra alguns. Não quero dizer quem serão os condenados.
ISTOÉ -
O PTB não elegeu nenhum senador e nenhum governador. O partido ficou menor nesta eleição?
ROBERTO JEFFERSON -
O Sérgio Zambiasi (PTB-RS) não se candidatou nesta eleição. Ele não gostou de Brasília, é muito regionalista. O Zambiasi teve uma proposta irrecusável para voltar para a rádio. Ele tem 60 anos de idade e, com um contrato de dez anos, com a estabilidade que o contrato vai dar, até chegar aos 70, ele vai ter condições, com o salário, de deixar as meninas dele encaminhadas. Ele tem dez anos para fazer isso. É um homem humilde, que nunca fez um patrimônio. Para o governo, perdemos por 5% no Amapá, no final, para o candidato do PSB. Lutamos no Piauí também, com o João Vicente.
ISTOÉ -
Os governadores do PSB estão defendendo a recriação da CPMF. O que o sr. vê numa eventual volta do imposto?
ROBERTO JEFFERSON -
É conversa mais para governador, no Nordeste, onde tem pouca indústria, o comércio não é tão forte, não há classe média forte. É coisa mais de oligarquia, de coronelismo. Nas regiões Sul e Sudeste, onde se pagam 64% de todo o imposto arrecadado no País, isso tem peso muito forte. A CPMF é o canto da sereia do PSB, que está agindo bem. São os governadores do PSB, mais o Anastasia de Minas, criando uma terceira força. Para mim, o partido que saiu mais forte da eleição foi o PSB. Mas eu penso que a Dilma não devia empalmar esse discurso, que é o discurso da vingança. A Dilma não devia virar chicote na mão do Lula para bater na oposição e se vingar da derrota que o Lula sofreu em 2007, quando a CPMF foi derrubada. Ela não pode começar pelo ódio, tem de começar pelo amor.
ISTOÉ -
Por que o sr. declarou voto no primeiro turno ao Plínio de Arruda Sampaio, se apoiava Serra?
ROBERTO JEFFERSON -
O Serra fez questão o tempo todo de se mostrar constrangido com meu apoio: “Olha, estou constrangido, mas recebi apoio do PTB.” É uma coisa muito ruim. Não gostei do papel do Serra comigo. Isso é pior do que ser adversário, você tratar o amigo com constrangimento. Isso é um negócio muito pesado. Não gostei, ele não foi firme comigo. Não conversou, não teve interlocução. Não conversei com o Serra após a eleição. Foi só uma vez, na casa do Geraldo Alckmin, a 40 dias da eleição. Eu não sei se ele conversa com alguém.
ISTOÉ -
Qual o futuro de José Serra?
ROBERTO JEFFERSON -
Ele deve disputar a eleição para prefeito em São Paulo. Não acho que ele vai pendurar as chuteiras. Ele tem todas as chances de suceder o prefeito Gilberto Kassab. O Serra ainda é moço, tem 68 anos.
ISTOÉ -
Qual o sentimento de ficar inelegível para o cargo de deputado?
ROBERTO JEFFERSON -
É muito frustrante para mim. Apesar de eu estar com muita liberdade para construir o PTB, viajando, não tendo de ficar preso no plenário de manhã até de madrugada, sinto falta do debate parlamentar. Estou aguardando a decisão do STF. Vamos ver se, pelo menos em 2014, a gente consegue disputar a eleição.


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