Razões do Blog


Este blog foi criado para apoiar a candidatura de José Serra à presidência do Brasil, por entendermos ser o candidato mais preparado, em todos os aspectos pessoais, políticos e administrativos. Infelizmente o governo assistencialista de Lula e a sua grande popularidade elegeram Dilma Rousseff.
Como discordamos totalmente da ideologia e dos métodos do PT, calcados em estatismo, corporativismo, aparelhamento, autoritarismo, corrupção, etc., o blog passou a ser um veículo de oposição ao governo petista. Sugestões e comentários poderão ser enviados para o email pblcefor@yahoo.com.br .

terça-feira, 30 de março de 2010

Datafolha: Serra também é o preferido das mulheres


AINDA DATAFOLHA: O SUL E AS MULHERES

terça-feira, 30 de março de 2010 | 7:05

Blog Reinaldo Azevedo
Leitores me pedem para publicar dados detalhados sobre a pesquisa Datafolha. Vamos lá.
POR REGIÃO COM CIRO – em %
Cand.
Tot.
SE
Sul
NE
N/CO
Serra
36
40
48
25
34
Dilma
27
24
20
35
29
Ciro
11
10
7
14
9
Marina
8
9
6
6
10
n/s
11
7
13
13
13
BC/n
7
9
5
7
4

POR REGIÃO, SEM CIRO GOMES
Cand.
Tot.
SE
Sul
NE
N/CO
Serra
40
44
51
29
37
Dilma
30
27
22
38
30
Marina
10
17
7
9
13
n/s
11
7
6
10
6
BC/n
9
11
6
10
6
Informa o Datafolha:
“Apesar de ter crescido em todas as regiões, foi o Sul do Brasil que mais contribuiu para a variação positiva do candidato do PSDB. Serra ganhou dez pontos na região quando comparado com a pesquisa do mês passado, e agora tem 48% das intenções de voto contra 20% de Dilma, que perdeu quatro pontos. Também contribuiu para o crescimento do tucano a diminuição no número de indecisos (16% para 5%).
Nas outras regiões, Serra e Dilma variaram próximos à margem de erro da pesquisa. Excluindo-se o Sul, região do maior índice de intenção de voto de Serra, o peessedebista apresenta melhor desempenho no Sudeste, onde tem 40%, e a petista tem 24%. O Nordeste é a única região onde Dilma está na frente de Serra (35% a 25%).”
SEGUNDO TURNO POR REGIÃO
Cand
Tot.
SE
Sul
NE
N/CO
Serra
48
52
61
35
48
Dilma
39
36
28
49
38
Escolaridade, renda e idadeInforma o Datafolha:
“Outro fator que contribui para a melhor performance de Serra foi o aumento das intenções de voto entre os menos escolarizados. Entre os eleitores com o ensino fundamental completo, Serra saltou de 31% para 37%, enquanto Dilma manteve-se estável, com 26%. Já entre a população com ensino médio, o governador de São Paulo ganhou quatro pontos e Dilma perdeu três. Por outro lado, a ministra ganhou quatro pontos entre os mais escolarizados (superior completo) e, pela primeira vez em três leituras, ultrapassou Serra (33% a 31%), que perdeu cinco pontos na preferência do eleitorado.
A pesquisa também mostra uma correlação positiva entre renda e escolaridade, já que o tucano ganhou eleitores de menor poder aquisitivo, e Dilma variou positivamente entre os mais abastados.
Serra ainda ganhou intenções de voto em todas as diferentes quebras por idade, com destaque para o crescimento de seis pontos entre os eleitores de 45 a 59 anos.”
SERRA X DILMA – 1º TURNO – IDADE
Cand.
Tot
16-24
25-34
35-34
45-59
+60
Serra
36
42
37
33
32
32
Dilma
27
26
28
29
26
26
SERRA X DILMA – 1º TURNO – ESCOLARID.
Cand.
Tot.
Fund.
Médio
Super.
Serra
36
37
37
31
Dilma
27
26
27
33
SERRA X DILMA – 1º TURNO – RENDA (sal. min.)
Cand.
Tot.
Até 2
+2 a 5
+5 a10
+10
Serra
36
35
37
36
39
Dilma
27
26
30
29
28
As mulheresDe novo o Datafolha:
“O resultado da pesquisa também aponta que Dilma segue com mais dificuldades de conquistar o eleitorado feminino, no qual tem 22% da preferência contra 37% do candidato da oposição. Entre os homens, essa diferença cai para três pontos (35% a 32%).”

SERRA X DILMA – 1º TURNO - SEXO
Cand.
Tot.
Homem
Mulher
Serra
37
35
37
Dilma
26
32
22
SERRA X DILMA – 2º TURNO - SEXO
Cand.
Tot.
Homem
Mulher
Serra
48
43
51
Dilma
39
43
35

A mentira lulista


Alguém vai se decepcionar

Carlos Alberto Sardenberg

O Estado de S.Paulo


Para ficar apenas no noticiário mais recente, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer capitalizar, ou seja, colocar mais dinheiro na Petrobrás, na Eletrobrás, na Telebrás, no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e num novo banco de financiamento à exportação.


Também quer gastar dinheiro, na forma de subsídios a compradores e de financiamento a empreiteiras, para "acabar com o maldito déficit habitacional", como disse na sexta-feira.

Acrescente aí os compromissos com o aumento real do salário mínimo e das demais aposentadorias, com a ampliação das bolsas e com os reajustes do funcionalismo, mais as megaobras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - como o trem-bala e a transposição do Rio São Francisco - e se verifica que, sem fazer contas, o governo não tem dinheiro para isso tudo.

Há algumas engenharias financeiras ou simplesmente alguns truques em andamento, como essa ideia do governo de capitalizar a Petrobrás "pagando" com barris do petróleo do pré-sal, que ainda não existem. Mas continuam enroladas.

Já o endividamento do Tesouro existe. O governo andou lançando uns papagaios na praça para emprestar ao BNDES - o que aumentou a dívida pública bruta, que, aliás, já se aproxima perigosamente dos limites.

Ou seja, esse é um artifício de pouco uso, daqui em diante, se o governo pretende, como promete, manter a estabilidade das contas públicas.

Também há - ou havia - promessas de aliviar a carga tributária de alguns setores da economia, como o de exportação, o que também significa custo para o Tesouro.

De novo, a conta real não fecha com as promessas.



E aí?

Aí é que muita coisa simplesmente não vai acontecer. O pacote de apoio à exportação, por exemplo, saiu bem mixuruca.

A principal reivindicação dos exportadores é que eles possam compensar automaticamente os impostos que pagam indevidamente. A exportação é isenta, mas, quando o exportador compra insumos e partes, esses produtos vêm com impostos embutidos no preço, em razão do nosso sistema - perverso - de cobrar antecipadamente.

Com isso, os exportadores ficam com uma espécie de crédito, que gostariam de descontar automaticamente de outros impostos, devidos sobre o comércio local, por exemplo. Gostariam, também, de poder vender esse crédito de maneira simples e rápida. Mas não saiu. Ficou o sistema antigo, pelo qual o exportador tem de praticamente implorar a devolução. Entra na fila, e aí já viu.

E por que não mudaram a regra, se todos estão de acordo que é preciso apoiar a exportação? Porque o governo precisa do dinheiro para os gastos já contratados, a Previdência Social, pessoal, os programas sociais e o custeio, que levam mais de 90% das receitas líquidas do governo federal.

Ou seja, eis a alternativa: ou o presidente Lula se convenceu de que ganhou uma licença para gastar e deixou de lado as metas de superávit primário e de redução do endividamento público ou esse amontoado de planos e promessas não passa de agitação e propaganda.

O mercado, que o presidente Lula e seus companheiros adoram atacar, acredita piamente na promessa de austeridade que está no Orçamento: superávit primário de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) - ante menos de 1% no ano passado - e redução da dívida líquida do setor público de 41,5% para 39,5% do PIB, com juros em alta e inflação contida. É o cenário que aparece no Relatório de Mercado, publicado pelo Banco Central (BC), com base nos cenários desenhados por instituições financeiras e consultorias.

Por outro lado, o setor produtivo - especialmente entre aqueles que dependem de encomendas do governo e das estatais - acredita piamente que o dinheiro para os seus negócios vai pintar.

Um dos dois vai se decepcionar. Capaz de os dois se decepcionarem, o que seria o pior cenário para o País.

Fixação. Parece que dois sentimentos movem a atividade externa do presidente Lula. Um é a fixação nos Estados Unidos. O outro é uma espécie de teimosia, que o leva a dobrar a aposta toda vez que é criticado.

Dirão: como fixação, se o presidente não perde a oportunidade para atacar "a subserviência" aos Estados Unidos?

Pois é justamente isso, uma fixação ao revés. Lembram-se daquela diplomacia do regime militar - "O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil ?" Troquem um "bom" por um "ruim" - e eis o comportamento atual.

Quanto ao segundo sentimento, basta observar as reações do presidente. Quanto mais criticam, por exemplo, sua futura visita ao Irã, mais Lula anuncia que vai lá, que vai falar isso e aquilo e que, para não perder o embalo, não vai deixar de ir só porque os Estados Unidos não querem.

Na sexta-feira passada, por exemplo, Lula disse que era "subserviência" aceitar a tese de que a paz no Oriente Médio depende dos Estados Unidos. Por isso, o Brasil está se metendo na história.

E, se dizem que a capacidade da diplomacia brasileira por lá é muitíssimo limitada, o presidente Lula acusa os críticos de sentimento de inferioridade e declara que vai fazer muito mais pela paz.

Bobagem, portanto, querer discutir a eficiência dessa política externa. A coisa não passa por essas racionalidades.

PAC2, sofisma eleitoral


Peça de marketing



Miram Leitão

O GLOBO



O presidente Lula governa o Brasil há 87 meses.

Faltam nove para acabar seus dois mandatos. Por que ele lança, assim no finalzinho, um programa para os próximos quatro anos e além? Para fazer campanha política, óbvio. O presidente alega que é para que o próximo governante não perca um ano sem saber o que fazer, mas para isso existe o Plano Plurianual, que vai até 2011.


Do PAC-1, anunciado em 2007, não se concluiu uma única obra de logística. Foram inaugurados alguns trechos de rodovias, mas de ferrovia não adianta inaugurar trechos.

A Ferrovia Norte-Sul andou, mas não ficará concluída.

A Ferrovia OesteLeste é só uma ideia na cabeça, que liga um porto sem estudo de mercado, sem projeto, sem licença, em Ilhéus, à Norte-Sul. A Transnordestina está parada pelas enormes complicações das desapropriações de minifundios no nordeste.

Os portos não foram dragados. O trem-bala precisará de mais dois anos para concluir o projeto. Começou custando US$ 11 bilhôes, hoje custa US$ 20 bilhões, e o governo diz que fará mais três trens-balas diz o professor de logística Paulo Fernando Fleury.

O truque dos números gigantes é somar o que pode vir a ser orçado com o que pode vir a ser investido pelo setor privado e com os futuros orçamentos das estatais.


Assim foi construído o número de R$ 503 bilhões anunciado em 2007. Depois, virou R$ 638 bilhões.

Destes, o governo considerou ações concluídas de R$ 256 bilhões, mas do Orçamento foram R$ 35 bilhões disse o economista Gil Castelo Branco, do site Contas Abertas.

Mas como 35 viram 256? Do total, mais da metade são empréstimos habitacionais de pessoa física com dinheiro do FGTS. Até reforma na sua casa se for com dinheiro da Caixa entra como ação do PAC diz Gil No balanço do PAC-1, o governo disse que R$ 88,8 bilhões foram investimentos do setor privado. O site Contas Abertas já perguntou insistentemente ao Planalto que empresas são estas.

Ainda não obteve resposta.

O governo alega que completou 40% do que se propôs a fazer nestes quatro anos, mas só concluiu 11%, segundo o site.

Para os próximos quatro anos, o governo Lula anuncia investimentos de cerca de R$ 1 trilhão. O número é outro ilusionismo, e o anúncio, feito agora, é truque eleitoral. De novo, reempacota-se dinheiro que já está aí, como o do FGTS, com investimento que pode estar no orçamento dependendo do próximo governo e possíveis investimentos privados e de estatais a serem feitos no futuro.

É uma forma de dizer, em linguagem de palanque: se o governismo vencer, é isso que o país terá. É também uma armadilha para o próximo governante, se não for eleita a candidata oficial. O próximo será cobrado em cada cidade, cada estado, cada região por não ter feito aquilo que Lula faria. E todas as ideias que são levadas ao governo são incluídas nessa verdadeira sacola de papai Noel.

A mensagem é clara: tudo isso só acontecerá se o governo continuar. Como disse o presidente da CUT, não podemos retroceder.

Ou como disse a ministra Dilma Rousseff: O neoliberalismo que nos antecedeu não tinha planejamento.

Antes, nós tínhamos o Estado que dizia não.

Era o Estado omisso.

Lula admitiu que não lançou o PAC-1 em 2006 para não confundir com as eleições.

A ministra fala do que acontecerá em 2011 como se não houvesse uma eleição no meio.


Tenho a felicidade de anunciar que haverá a democratização da água prometeu.

Os números mostram que, apesar dos sete anos e três meses do governo Lula e um PAC, os problemas de água e esgoto continuam enormes.

Segundo o presidente da Abcon (Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto), Yves Besse: 14,5 milhões de pessoas não têm acesso à água potável; 40 milhões sofrem com abastecimento descontínuo de água; 70 milhões não são atendidos por coleta de esgoto; 100 milhões não têm esgoto tratado.

Besse diz que o PAC-1 prometeu R$ 40 bilhões para quatro anos, pouco mais de 15% do necessário, mas não trouxe recursos novos, apenas reorganizou orçamentos como o do FAT (Fundo de Amparo do Trabalhador), sob controle da BNDES, e o do FGTS, sob comando da Caixa Econômica.

No ritmo atual de investimentos, o serviço de água e esgoto só vai ser acessado pelo total da população em 2070 afirmou.

Planejamento é necessário, mas isso que foi exibido ontem não foi planejamento.

A Constituição estabelece que seja feito, e passe pelo Congresso, o Plano Plurianual, e determina que ele não coincida com o período de mandato, exatamente para que não haja a paralisia que Lula teme que ocorra no ano que vem. O Plano atual vai até 2011. Claro que existem obras que não podem ser concluídas no período de quatro anos ou oito , mas não é razoável apresentar uma lista gigante de projetos que tomariam o próximo governo inteiro, a menos que fosse um programa de governo de candidato.

O empenho para pagar parte da festa saiu ontem no Diário Oficial. A empresa Swot, serviços de festas e eventos, receberá R$ 170 mil.

Governo Lula é o responsável, sim!


O apagão de Lula

EDITORIAL - FOLHA DE SÃO PAULO

Folha de São Paulo - 30/03/10

SÓ AGORA , quase cinco meses depois do apagão que atingiu ao menos 1.800 cidades em 18 Estados do país, surge uma explicação oficial satisfatória para o corte abrupto e generalizado de energia no final de 2009.
Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica, divulgado na semana passada, a responsabilidade recai sobre a empresa estatal Furnas, cujas linhas de transmissão cruzam os mais de 900 km que separam Itaipu de São Paulo.
Equipamentos obsoletos, falta de manutenção e de investimentos, além de erros operacionais conspiraram para produzir a mais séria falha do sistema de geração e distribuição de energia do país desde o traumático racionamento de 2001.
Técnicos da Aneel já haviam constatado, em julho de 2009, problemas nos "sistemas de proteção das instalações de transmissão" de Furnas. Foi em seguida conferido à empresa um prazo de mais de dois meses para que se procedessem aos ajustes e investimentos necessários -de maneira específica, nas subestações de Ivaiporã (PR) e Itaberá (SP), onde o blecaute teve origem. Como nenhuma medida foi tomada, o sistema ficou "sujeito a risco de novos desligamentos".
Em novembro, a crise anunciada aconteceu. Temeroso do possível desgaste eleitoral que a falha poderia acarretar para a candidata petista Dilma Rousseff, a gestora do sistema de energia do país, o governo lançou uma nuvem de fumaça sobre o episódio. O ministro Edison Lobão logo tratou de atribuir a um temporal em Itaberá um curto-circuito nas linhas de transmissão.
Além de proteger Dilma, ao governo não interessava jogar luz sobre um setor da administração estatal entregue à esfera de influência do PMDB, sigla que se tornou uma espécie de modelo de fisiologia na política.
O relatório da agência não deixa dúvida sobre a responsabilidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva no apagão. O que houve, em resumo, foi falta de acompanhamento do sistema e de investimentos por parte do Estado.

Defenestraram o Suplicy


Fora, Suplicy!

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Folha de S. Paulo - 30/03/2010



SÃO PAULO - O senador Eduardo Suplicy chegou à reunião da Executiva Estadual do PT, ontem pela manhã, montado em 19% das intenções voto ao governo de São Paulo, conforme registrou o Datafolha. Deixou a mesma reunião, horas depois, anunciando que abria mão da disputa partidária em benefício do senador Aloizio Mercadante, que aparece com 13% na pesquisa.
O desfecho da novela (a candidatura Mercadante) era previsível, mas o roteiro de ontem (a desistência instantânea de Suplicy) não.
O fato é que Suplicy foi massacrado pelo exército lulista. De quase 20 oradores presentes à reunião, nenhum o encorajou a levar suas pretensões adiante. Houve, pelo contrário, pressão unânime para demovê-lo. Um dos petistas, especialmente hostil, chegou a mencionar a eleição ao governo paulista de 1986, quando Suplicy, depois de passar por uma crise pessoal, interrompeu a campanha e se refugiou por alguns dias na serra da Cantareira, alegando ter "perdido o eixo".
"Fiquei surpreso", diz o senador, referindo-se à falta de receptividade a seu nome. Havia, mesmo, a intenção de assustá-lo, conforme relatos a esta coluna. As gentilezas ficaram por conta do café da manhã que lhe foi oferecido pelo presidente do PT paulista, Edinho Silva, com pão de queijo, suco de caju e bolo -uma variedade à mesa "muito incomum" por lá, segundo o anfitrião fez questão de dizer antes de lhe introduzir o menu amargo da política.
Mercadante será -como já era- o candidato. Em 2006, ele foi derrotado no primeiro turno por José Serra. Seu maior desafio ainda é conseguir chegar ao segundo turno.
O episódio de ontem no PT mostra, por um lado, a capacidade quase infinita de Suplicy de jogar para a plateia, faturando algo mesmo quando é derrotado. Sua desistência passa por "gesto de grandeza". Mostra também que, para a cúpula, Suplicy é quase um corpo estranho ao partido, um satélite midiático, circense, personalista. E mostra sobretudo a submissão disciplinada do PT à palavra e à vontade de Lula.

Petistas acovardados com a pesquisa


Ainda falta o principal

O Estado de S.Paulo - 30/03/2010



O resultado da pesquisa Datafolha divulgada no último sábado mostrando José Serra 9 pontos à frente de Dilma Rousseff foi uma surpresa geral. A oposição andava jururu, ainda traumatizada com a pesquisa anterior que havia registrado um quase empate entre os dois, achando que ela poderia ultrapassar Serra na próxima.

Os governistas cantavam vitória como se não houvesse amanhã, na base do "está eleita", já conseguindo contaminar vários setores da sociedade com essa certeza. A coisa chegara a um ponto em que a dúvida era se Dilma ganharia no primeiro ou no segundo turno.

Pura técnica de agitação política e ingenuidade de quem acredita. Pois a pesquisa favorável a Serra tampouco indica que os celebrantes por antecipação devam cancelar os festejos. Apenas aconselha o óbvio: que sejam prudentes, pois eleição não prescinde de campanha. Se não se ganha de véspera, quem dirá antes de começar a campanha eleitoral.

A decantada certeza da vitória por enquanto não teve nem tem base na realidade. Aos fatos: o oponente está na frente. Isso sem se declarar candidato. Uma vez declarando-se, qual o motivo de o eleitor desistir da opção feita anteriormente? Portanto, o mais lógico é que subisse e não caísse nas pesquisas.

Por ora, a pesquisa Datafolha mostra que onde a oposição está pior, no Nordeste, a diferença é de 10 pontos, 35% Dilma e 25% Serra. Mas onde o governo está pior, no Sul, a diferença é de 28 pontos, 48% Serra e 20% Dilma.

A oposição está na frente no Norte, Centro Oeste e Sudeste, aqui com 14 pontos de frente onde estão os três maiores colégios eleitorais, São Paulo, Minas e Rio de Janeiro.

Além disso, entre os eleitores que aprovam o governo, 33% votam em Dilma e 32% em Serra.

Isso significa que há vantagem oposicionista real. Só que há tempo, instrumentos e militância de sobra para alterar a situação se assim o eleitor decidir que deve ser.

Combination. Pode ter sido mera coincidência, mas à medida que ficava mais evidente a candidatura de José Serra à Presidência da República, menos se falava no PT e no Palácio do Planalto da candidatura Ciro Gomes ao governo de São Paulo.

Ao ponto de o consenso em torno do nome de Aloizio Mercadante ter se estabelecido sem necessidade de uma única conversa entre o presidente Lula e Ciro para "resolver" a questão como antes vinha sendo constantemente anunciado.

Conclusão: a candidatura de Ciro em São Paulo nunca existiu de verdade.

Defesa civil. Chico Buarque certa vez propôs a criação de um ministério para prevenção de catástrofes políticas óbvias.

Algo como um conselho que impedisse o presidente Lula de mandar cassar o visto do correspondente do New York Times, que fizesse ver aos aloprados do PT a bobagem de carregar dinheiro em malas para comprar dossiês contra adversários, que aconselhassem deputados a não tentar passar pelo sistema de fiscalização eletrônica de aeroportos com dólares na cueca, enfim, que não dessem tanta chance ao azar.

Seria um dos mais ativos ministérios. Agora mesmo teria a tarefa de desmentir José Rainha Júnior. Um dos primeiros líderes do MST a ficar famoso, a ser preso e acusado por formação de quadrilha, porte ilegal de armas, suspeita de assassinato, associação ao tráfico de drogas, condenado por crimes de incêndio, furto e danos e a merecer da direção nacional do movimento uma manifestação oficial de repúdio.

Ainda assim, apresenta-se como líder de uma ala do MST no Pontal do Paranapanema (SP), cujos acampamentos segundo ele, serão transformados em "comitês pró-Dilma".

As ações começam no "abril vermelho" com as ocupações que tanto desagradam à população. Da mesma forma, os movimentos dos sindicatos ligados à CUT em São Paulo, em que um grevista admitiu que a ideia é "quebrar a espinha" do governador e do candidato.

É de se perguntar aos estrategistas da campanha de Dilma se essa ausência de sutileza não cria uma associação de brutalidade e radicalismo a uma imagem que vem sendo trabalhada exatamente no sentido contrário, de suavidade e moderação.

Serra vem com tudo


A boca do jacaré

O Globo - 30/03/2010



Um dado relevante da mais recente pesquisa Datafolha é a confirmação de que o candidato do PSDB, José Serra, mantém-se na faixa dos 40% da preferência do eleitorado quando o deputado Ciro Gomes não está na disputa, o que faz com que tenha possibilidade de vencer a eleição já no primeiro turno.

No jargão das pesquisas, "a boca do jacaré" estava se fechando, com a diminuição da diferença entre Serra e Dilma para quatro pontos na pesquisa Datafolha anterior. No entanto, a pesquisa seguinte, do Ibope, já mostrava "a boca do jacaré" abrindo mais um pouco, aumentando para 5 pontos a diferença a favor de Serra.

Esse movimento continuou, e a diferença agora foi para 9 pontos.

Ninguém em seu perfeito juízo poderia imaginar que, com o presidente Lula popular no nível em que está, sua candidata não entraria na disputa com pelo menos os 30% do eleitorado de esquerda garantidos.

Em nenhum momento, no entanto, mesmo tendo a diferença a seu favor reduzida, o tucano José Serra saiu da faixa dos 40% nos mais diversos institutos de pesquisa, e deixou de ter a possibilidade de vencer no primeiro turno.

Como exemplo, apenas nas pesquisas de 2010: 41% no Sensus de janeiro; 38% no Vox Populi de janeiro; 41% no Ibope de fevereiro; 38% no Datafolha de fevereiro; 38% no Ibope de março; e 40% no Datafolha de março.

Desde o segundo turno de 2002, quando teve 38% dos votos e perdeu a eleição para Lula, que Serra aparece à frente das pesquisas com uma média entre 35% e 40% de preferências.

Quando abandonou a disputa em 2006 dentro do PSDB para deixar Alckmin perder para Lula, estava na frente das pesquisas, mas já com Lula nos seus calcanhares.

Fica claro que essa marca é muito mais do que o simples recall ( lembrança), fenômeno que as pesquisas eleitorais registram para os candidatos que, tendo disputado eleições anteriormente, permanecem no inconsciente do eleitor e são lembrados numa primeira reação nas pesquisas.

O simples recall, no entanto, não é suficiente para manter um candidato à frente das pesquisas se a lembrança não for acompanha da de algo mais substancial.

O deputado Ciro Gomes, por exemplo, já foi candidato a presidente da República várias vezes e, no entanto, seu recall junto aos eleitores é muito fraco, está em queda permanente na casa dos 11% das preferências.

Embora tenha perdido a imagem de candidato competitivo, o que dificulta uma decisão do PSB a favor de sua candidatura contra a opinião do presidente Lula, o deputado Ciro Gomes ganhou novo fôlego com essa pesquisa recente do Datafolha, que o coloca mais uma vez como uma barreira à possibilidade de Serra vencer a eleição no primeiro turno.

Com sua saída, quem mais se beneficia é justamente Serra, que herda 4 pontos percentuais, indo a 40%. A candidata oficial, Dilma, ganha 3 pontos, indo a 30%. E a senadora Marina Silva ganha 2 pontos, chegando a 10%.

Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, continua sendo uma possibilidade a vitória de Serra já no primeiro turno no caso de Ciro não aparecer na tela da máquina de votar.

A explicação, dada por alguns marqueteiros, de que o eleitor de Ciro escolheria preferencialmente Serra devido ao seu conhecimento, perde a força diante da constatação de que a ministra Dilma Rousseff já é conhecida por 87% dos pesquisados, que já dizem conhecêla de alguma forma, ainda que apenas de ter ouvido falar.

Serra tem um percentual de 97% de conhecimento dos eleitores, e Ciro tem 93%. Só a senadora Marina Silva pode alegar que seu índice de preferência pode aumentar, pois o nível de conhecimento dela por parte do eleitor é de apenas 52%.

Agora, a explicação para a estagnação da candidatura oficial é que, embora conhecida do eleitorado, só 58% dos eleitores sabem que Dilma é a candidata de Lula.

E entre os eleitores que querem votar no candidato apoiado por Lula, ainda existiriam, segundo Mauro Paulino, diretor do Datafolha, 14% que não votam em Dilma por ainda não saberem que ela é a escolhida do presidente.

Um eleitorado de baixa escolaridade, baixa renda e de grande concentração na região Nordeste, que teoricamente seguiria as palavras do líder.

A questão é saber se, estando o presidente em campanha aberta há mais de dois anos, esse tipo de eleitor não identificou Dilma como a candidata oficial por incapacidade de entender a mensagem do presidente, ou se não encontra na candidata oficial capacidades que vê em Lula.

Essa segunda hipótese seria uma explicação mais política, que reduz a importância das análises técnicas das pesquisas.

É o caso da preferência por Serra de parte ponderável dos eleitores que consideram o governo de Lula ótimo ou bom. Dos que aprovam Lula, 33% votam na petista Dilma, e 32%, no tucano Serra.

Ao contrário, o desempenho de Dilma entre os 20% de eleitores que consideram o governo Lula apenas regular, é muito fraco: Serra recebe 51% das intenções de voto desse grupo, contra apenas 9% da petista, que tem menos do que Ciro e Marina, cada um com 10%.

Entre os 4% que consideram o governo Lula ruim ou péssimo, Serra tem 48% de preferência, enquanto Dilma tem apenas 5%, mais uma vez atrás de Ciro e Marina.

Esses números demonstram claramente a dependência de Lula que a candidatura de Dilma tem.

Mesmo entre os que gostam do governo, ela não consegue se impor como a escolha natural.